domingo, 2 de fevereiro de 2014

O dia do nascimento


A ansiedade já não cabe mais em mim.

Depois de mais de 9 meses aguardando aquele dia em que você conhecerá sua filha, ver que está tudo bem ( porque já está cansado de ler nos resultados do ultrassom "aparentemente normal"), ver a carinha dela e enfim curtir uma nova etapa.

No dia do nascimento eu tive que trabalhar ( vendedor nunca para), então trabalhei de manhã, visitei dois clientes em horários bem apertados para tratar de diversos assuntos, além de outros assuntos.
No final para mim foi muito bom, pois passei menos tempo parado pensando e alimentando a ansiedade e os receios.

Falando em receios... A cabeça do ser humano é terrível. A medida que a data do parto foi se aproximando eu tive diversos sonhos ruins com várias opções de finais ruins para o parto e isso foi me deixando cada vez mais nervoso.

Agora voltando ao dia do nascimento...

Depois de trabalhar até depois do almoço, consegui voltar para casa e encontrei minha esposa, terminamos de arrumar algumas coisas e minha esposa confirmou a mala dela pela 12° vez (rsrsrs).

Um pouco antes do horário combinado de sairmos de casa já estávamos prontos e eu combinei com a minha esposa de sairmos já e irmos com calma e sem pressa, mas ai que veio a segunda parte da emoção... Estávamos praticamente saindo quando começou uma chuva muito forte com ventos mais fortes ainda e começou a entrar água nos dois quartos. Eu fiquei impressionado porque em mais de 3 anos que temos o apartamento isso nunca aconteceu.
A água entrava pela janela fechada e eu até hoje não sei por onde entrou. O fato é que os dois quartos começaram a molhar tudo e ficamos impressionados e saímos correndo para secar tudo.

Eu estava quase enfartando por dentro e tentando acalmar minha esposa quando eu tomei a decisão de abandonar. Falei para ela deixar tudo lá, colocamos panos secos e limpos em baixo das janelas e estávamos quase saindo quando acabou a luz.

Sem luz e no 10° andar do prédio, só nos restou a escada que também estava sem luz.

Mais uma vez eu cheio de raiva tentei acalmar minha esposa, peguei as quatro malas e dividi nas costas, peito e braços e desci os 10 andares cheio de malas e com ela iluminando a escada apenas com o celular.

Já começando a ficar atrasado pegamos a câmera que esquecemos na minha sogra e partimos para a maternidade.

Seria tranquilo se não estivéssemos em São Paulo que se alguém derrubar um copo de água já tem alagamento e congestionamento.
O que era para ser um caminho tranquilo se transformou em horas de sofrimento e desespero. 
Para todos os lugares que eu ia ou olhava o trânsito estava parado, eu cortava daqui e de lá, quase bati o carro algumas vezes, mas enfim chegamos com 1:30h de atraso, mas chegamos.

Na recepção fomos informados de que o médico e a secretária dele não pediram a autorização para o convênio e que talvez não conseguiríamos fazer como desejamos.

Já estávamos no limite... Fomos aguardar em um lugar separado xingando e reclamando da nossa falta de sorte justo naquele dia tão especial, tão aguardado.

Por fim, tudo se resolveu, minha esposa foi para a preparação e eu aguardando ser chamado.

O parto correu tudo bem, os familiares chegaram a tempo de assistir o nascimento de nossa Bebê ( que atrasou mais de 1:30h) e eu quase morrendo de ansiedade.

Tudo isso vale a pena quando vimos aquela carinha que sonhamos durante tanto tempo.



 

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